Publicado em 27.03.2018 - Festas e comemorações - Sem comentários

TISHÁ BEAVO Tishá BeAv acontece no 9º dia do mês judaico de Av, geralmente em julho ou agosto do calendário gregoriano.

Nessa data, jejua-se por alguns acontecimentos marcantes que, curiosamente, aconteceram no mesmo dia e em anos diferentes. Os principais foram:

  1. a) Destruição do 1º e do 2º Templos (586 AEC e 70 DEC);
  2. b) Derrota da fortaleza de Betar em 133 DEC;
  3. c) Expulsão dos judeus da Inglaterra (1290);
  4. d) Expulsão dos judeus da Espanha (1492);
  5. e) Os cossacos atacaram a comunidade judaica de Constantinopla, matando

3.000 homens, mulheres e crianças (1648);

  1. f) Erupção da 1ª Guerra Mundial (1914);
  2. g) Criação do Gueto de Varsóvia durante a 2ª Guerra Mundial (1941);
  3. h) Deportações do Gueto de Varsóvia para os campos de concentração (1942);
  4. i) Inauguração das câmaras de gás de Auschwitz (1942);
  5. j) 1º avião da El-Al abatido no espaço aéreo da Bulgária (1955).

A prática tradicional inclui a leitura do Livro das Lamentações (Kinot), jejum de 25 horas, privação de confortos e contato físico. Em Jerusalém, centenas de pessoas se dirigem ao Kotel, o Muro Ocidental, e único remanescente do 2º Templo para lembrar sua destruição. Restaurantes e locais de entretenimento são fechados na véspera do dia e só reabrem na manhã do dia seguinte.

O emblema maior de Tishá BeAv é a destruição dos Templos. Por que o choro de Sion nos comove? Seria apenas a lembrança da dor do passado? Seria este fenômeno apenas uma questão de memória?

A força de Tishá BeAv parece ser mais viva, mais emoção em relação a algo que acontece hoje, do que identificação com o lamento do passado. Façamos uma análise. O que é um templo? Explica o dicionário: local misterioso e respeitável. Mais que isto, é o lugar de encontro com D’us. Choramos em Tishá BeAv por percebermos que aquilo que é sagrado e consagrado não é eterno e não é invulnerável ao tempo e às transformações. Tishá BeAv é uma celebração da IMPERMANÊNCIA. O tempo destrói os templos, os monumentos, as matsevot. Não importa a intensidade das experiências e dos momentos vividos, os templos se destroem. Perceber isto é um choque constante para os seres humanos.