Publicado em 27.03.2018 - Festas e comemorações - Sem comentários

PESSACHבְּכָל דּוֹר וָדוֹר חַיָּב אָדָם לִרְאוֹת אֶת עַצְמוֹ כְּאִלוּ הוּא יָצָא מִמִּצְרַיִם

“Em cada geração, o ser humano deve olhar a si próprio como se ele mesmo tivesse saído do Egito.”

(Hagadá de Pessach)

A Festa da Liberdade

Pessach (em português, “passagem”, em alusão à exceção das casas judias salvas na décima praga) celebra a libertação dos filhos de Israel depois de mais de dois séculos de escravidão no Egito, e por isso também é conhecida como Zman Cherutênu (Tempo de Liberdade). Na saída apressada do Egito, após a última das dez pragas, não houve tempo para a fermentação do pão, o que, segundo a tradição judaica, ocasionou a criação da matsá. Por isso, Pessach também é conhecido como Chag haMatsot (Festa dos Pães Ázimos). A festa também é uma comemoração agrícola, pois marca o início da primavera em Israel e dá um outro nome à festa: Chag haAviv (Festa da Primavera).

Algumas das práticas na sinagoga são:

  • leitura da Torá durante os oito dias da festa, nas quais lemos trechos especiais sobre a saída do Egito e a travessia do Mar Vermelho, sendo a liberdade um dos principais elos entre todas elas, e o encontro mais próximo entre Deus e Moshe;
  • Halel, recitamos poemas bíblicos de gratidão, que se incluem nas festas de peregrinação, Rosh Chodesh e Chanucá. Em Pessach, sua versão é reduzida por causa da morte dos egípcios;
  • no 1º dia de Pessach é feita a Prece pelo Orvalho, que marca o término dos pedidos de chuva em Israel;
  • no 2º dia da festa inicia-se, no serviço de Arvit, a contagem do Ômer;
  • no 8º dia recita-se o Izcor.

O jantar tradicional de Pessach, conhecido como Seder (ordem), é um ritual que tem suas origens na época da Mishná (entre os séculos I e II e.c.) e, por isso, contém muitas influências dos impérios grego e romano, como, por exemplo, sentar-se reclinado, molhar os alimentos na água ou beber vários copos de vinho. Esse ritual tão tradicional em nossas casas surgiu como uma resposta dos rabinos da época à impossibilidade de cumprir as mitsvot (mandamentos) da festa relacionadas ao Templo, como os sacrifícios, por exemplo. O Seder parece um paradoxo, pois comemoramos a chamada Festa da Liberdade com um jantar cheio de regras. Assim, a liberdade poderia se entender como o estabelecimento das próprias regras. As partes do Seder proporcionam um jantar alegre, diferente e focado nas crianças, cheio de símbolos, histórias e perguntas propositais para cumprir o preceito “vehigadtá levinchá” (e contarás a teu filho). Através das perguntas e brincadeiras (como a busca pelo aficomán), mostrando e abençoando os alimentos simbólicos da keará de Pessach, incentivamos a participação ativa das crianças ao longo do jantar.

Nossos sedarim são marcados por rituais que lembram nossa história e a responsabilidade pelo presente. Ao recitarmos as dez pragas, retirando uma gota do copo de vinho (símbolo da alegria) para cada uma delas, e não recitando o Halêl de maneira completa, lembramos que nossa alegria dependeu da perda de outros. Vivemos em um país que, infelizmente, nos dá a oportunidade de lembrarmos constantemente de nossos antepassados e atuar de forma significativa no tempo presente.

Ma nishtaná: porque perguntar é preciso

Perguntar é parte essencial da liberdade. Uma característica fundamental das pessoas livres é que elas percebem o mundo ao seu redor e buscam relevância nele. O escravo não pode perguntar: todas as suas tarefas fazem parte de uma mesma lógica, e não lhe convém questionar o sentido. E nem mesmo há porquê fazê-lo, uma vez que ninguém se sente na obrigação de responder ao escravo. Não há lugar para perguntas em um mundo onde as ordens arbitrárias do mestre são a justificativa final para a forma das coisas.

Fomos escravos no Egito. Fora do Egito, ainda escravos.

Pessach não é apenas uma história de recordação, mas também de reflexão sobre o tempo presente. Através de nossos antepassados escravos no Egito, podemos refletir sobre qual seria a nossa escravidão pessoal a cada ano. O que nos impede de caminhar por novas estradas? O texto tradicional da hagadá nos questiona sobre o que pode ser nosso Egito atual, o que nos escraviza e o que escravizamos. Na sociedade em que vivemos, somos, inevitavelmente, dependentes de algo. É necessário refletir em que medida estamos presos a nossas rotinas, frases e enfoques. Quanta liberdade possuímos para desejar, pensar, valorizar e perdoar o diferente? Pessach é um convite a buscar novos caminhos e sair dessas renovadas escravidões.

Halachmá aniá: pensando nos que passam necessidade

A quinta parte do Seder é dedicada a contar a história da saída do Egito, e começa com uma das passagens mais significativas. Segurando a matsá, dizemos: “Este é o pão da pobreza que nossos antepassados comeram na terra do Egito. Todo aquele que tem fome, venha e coma. Todo aquele que passa necessidade, que venha e celebre o Pessach conosco”. A memória dos tempos de escravidão e pobreza no Egito nos faz refletir sobre outras pessoas que ainda hoje passam por essas mesmas circunstâncias. Como aprendizado, abrimos nossas portas para aqueles que não têm condições e os convidamos a sentar e a comer conosco.

Por que todas as noites comemos chamêts e matsá, mas nessa noite comemos somente matsá?

Um dos motivos é que o chamêts (tipo de alimento proibido durante a semana de Pessach) representa a arrogância presente em nossas vidas. De acordo com essa metáfora, o fermento geraria um crescimento falso. O pão seria preenchido com o ar quando fermentado e, por isso, representaria um estado de orgulho vazio. A matsá, por outro lado, estaria ligada à humildade. Ela é verdadeira, se mostra como realmente é. Segundo Maimônides, de todas as virtudes negativas, o orgulho é a pior, uma vez que seria a origem de uma série de maus hábitos e comportamentos, como o egoísmo, a inveja e a ganância. Portanto, precisamos nos afastar dele ao máximo. Oito dias recordando a nossa condição de escravos e também a liberdade de guardar memórias, de viver de novo experiências passadas junto à liberdade que brinda a humildade, é, desta forma, o momento ideal para trabalhar essa virtude. Muitas pessoas pensam que são livres quando são frequentemente “escravas” de seu orgulho próprio. Nesse sentido, a busca e queima do chamêts representa enfrentar o que nos escraviza hoje, especialmente a arrogância.

Conceitos importantes:

 

seder Pessach: refeição de Pessach               kearat haPessach: prato de Pessach

leil hasseder: noite da comemoração           iain: vinho

Chag HaPessach: festa de Pessach                kos Eliahu Hanavi: taça do Profeta Elias

Chag Haaviv: festa da primavera                  arba kossot: quatro taças

Chag Hamatzot: festa de pães ázimos          matzá/ot: pão/pães ázimo(s)

Chag Hacherut: festa da liberdade                afikoman: matzá escondida

chag sameach: Boas festas!                          beitzá/im: ovo(s)

Hagadá: livro de rezas de Pessach                charosset: purê – maçã e nozes

kushiot: perguntas de Pessach                      zroa: osso

kasher lePessach: kasher                               karpás: salsão

bdikat e biur chametz: Verificação               maror: raiz forte

e queima de fermentados

esser hamakot: 10 pragas                             chazeret: erva amarga

eved/avadim: escravo(s)                               egozim: noz/es

tevá: cesto de Moisés                                    snê boer (baesh veenenu ukal:

sarça ardente (que não queima)

 

Culinária:

KNEIDLACH                                       

Ingredientes:

2 ovos

3 colheres (sopa) de gordura de frango

½ colher (chá) de sal

¾ xícara de farinha de matzá

½ xícara de água ou sopa quente

 

Modo de fazer:

Bater as gemas com a gordura até formar ficar grosso e homogêneo

Derramar por cima sopa ou água quente e bater bem.

Acrescentar a farinha de matzá misturada com o sal, e depois as claras em neve.

Deixar esfriar por mais ou menos meia hora.

Ferver meia panela de água ou sopa.

Molhar as mãos em água fria e molde pequenas bolas, colocando-as com cuidado dentro da água fervendo.

Reduzir o fogo e deixar cozinhar por 20 a 25 minutos.

 

Quantidade suficiente para 18 kneidalach.