Publicado em 27.03.2018 - Festas e comemorações - Sem comentários

CHANUKÁDiferentemente da maioria das festas, Chanucá não é mencionada na Torá ou no Tanach.

A celebração da vitória milagrosa dos poucos macabeus contra os inúmeros selêucidas helenistas e da retomada do Templo de Jerusalém, estão descritas nos registros conhecidos como Macabeus I e II, livros mais tarde conhecidos como Apócrifos. Esses dois livros em específico não entraram no cânone judaico e, por isso, não estão no Tanach, por terem sido escritos originalmente em grego, não em hebraico. O chag, que dura oito dias, e durante os quais acendemos as velas da chanukiá, é muito conhecido por ser alegre, leve, com comidas gostosas, feitas no óleo para representar o milagre do azeite, como os sufganiot (sonhos), pelo sevivon (pião com as iniciais נ (Nun), ג (Guímel), ה (Hei), ש (Shin), que juntas formam o acrônimo para “נס גדול היה שם” (Nêss Gadol Haiá Shám – “um grande milagre aconteceu lá”) e músicas divertidas para ensinar as crianças.

A vitória dos macabeus sobre os helenistas e o milagre do azeite que durou mais sete dias são os principais motivos para a celebração de Chanucá, mas, embora o livro dos Macabeus fale com detalhes sobre as batalhas, ele não faz qualquer menção à história do frasco de azeite que inesperadamente durou oito dias. Então qual o milagre de Chanucá?

Acredita-se que o milagre foi a fé dos macabeus em lutar por sua identidade e seu judaísmo, mesmo parecendo não haver mais recursos para vencer. A crença em Deus é importante. Devemos ter esperança mesmo quando as condições físicas e materiais são extremamente adversas. O judaísmo nos convida a ter fé sempre.   Ao mesmo tempo, o milagre do azeite nunca teria ocorrido se não fosse a coragem de Matitiahu e seus filhos. Caso não tivesse Iehudá haMacabí liderado uma revolta a favor da nossa liberdade religiosa, não teria acontecido milagre algum. O milagre é uma parceria entre Deus e o homem. O milagre, na perspectiva judaica, é a responsabilidade que delegamos a Deus depois de realizarmos absolutamente tudo que se encontra ao nosso alcance. É por esse motivo que comemoramos Chanucá por oito dias, mesmo sabendo que o azeite durou milagrosamente por outros sete: o oitavo dia representa a participação do homem no milagre de Deus.

 

בימים ההם בזמן הזה

“Pelos milagres de ontem e de hoje”

Chanucá nos traz reflexões interessantes relacionadas à identidade, incluindo aquela sobre por quais disputas estamos dispostos a lutar. As batalhas contra os helenistas selêucidas não foram travadas por territórios ou recursos, mas por liberdade, pelo direito de praticar a sua religião. Será possível desenvolver uma sociedade onde particularismo e universalismo convivam mutuamente, sem oferecer a ninguém a sensação de estar ameaçado por seu individualismo ser mal aceito pelos demais? Será que hoje agimos como os helenistas da época, intolerantes ao diferente? Sendo um povo com a nossa história, conhecemos a difi culdade de ser uma minoria diferente, e sabemos que lutar sozinho pode ser difícil e pode acarretar grandes perdas. Por isso devemos apoiar outras minorias que sofrem constantemente.

 

Conceitos importantes

kad (shemen): jarro (de azeite)               levivá/ levivot: bolinho(s) de batata frito

Chanuká: inauguração                             makabim: Macabeus

chanukiá: candelabro de 8 braços + 1     ner/nerot: vela(s)

sevivon/ svivonim: pião/ões                    Chashmonaim: hasmoneus

shamash: vela ‘zeladora’                         dmei Chanuká: dinheiro de Chanuká

shemen zait: azeite de oliva                    Iehudá Hamakabi: Judá, o Macabeu

sufganiá/ sufganiot: sonho(s)

 

 Culinária

Levivot (Latkes)                                                                     

Ingredientes

4-5 batatas descascadas, raladas no lado grosso do ralador e espremidas (colocando numa peneira e retirando o líquido)

1 cebola ralada (facultativo)

1 ovo

2 colheres de farinha

½ colherinha de fermento em pó

sal e pimenta (facultativo)

Modo de Fazer

Misturar tudo, e fritar no óleo às colheradas.

 

Sufganiot (rendimento: 30 sonhos)

Ingredientes

4 copos de farinha                                                 3 colheres de óleo

1 pitada de sal                                                                         3 ovos

3 colheres de açúcar                                                             ¾ de copo de leite ou água

2 col de conhaque ou casca de limão ralada ¼ copo de água morna

40 g de fermento para pão, misturada com 1 colher de açúcar

Modo de Fazer

  1. Deixar o fermento, com a água e o açúcar, começar a borbulhar.
  2. Colocar a farinha em uma vasilha funda, fazer um buraco no centro e juntar

o resto dos ingredientes, misturando bem, mas sem socar.

  1. Deixar fermentar, abrir a massa com rolo e cortar os sonhos com a ajuda de

um copo. Fritar em óleo quente (bem longe das crianças…).

  1. Podem ser recheados com doce de leite/geleia, ou cobertos com açúcar fino

peneirados.