Tradição!
Assim cantava Tevye no célebre e emocionante filme O Violinista
no Telhado. Desde sempre, essa palavra foi quase sagrada para
imigrantes que chegaram ao Brasil e também nas diversas comunidades
que se espalharam pelo mundo. Tradição!
Com a comunidade curitibana
não foi diferente, assim que a começou a se estabelecer,
procurou reproduzir aqui as suas instituições básicas,
baseadas nas suas tradições e valores religiosos.
Assim foram surgindo a sinagoga, o cemitério e o Centro Israelita
do Paraná (CIP).
Em 1921 o ClP congregava
a grande maioria dos judeus de Curitiba, contando cerca de 50 sócios
e um número expressivo de crianças em idade escolar.
Na época, não existia nenhuma entidade voltada ao
ensino, o que preocupava os pais. Então, coordenado por Bernardo
Schulmann criou-se o Comitê Escolar, com a finalidade de tratar
da questão da educação judaica.
Durante um curto período,
na falta de recursos para a concretização de uma escola,
o próprio Comitê foi responsável pelo ensino
elementar israelita. Os membros se encarregavam das aulas, reunindo
as crianças em idade escolar na própria biblioteca
do CIP.
Em 1927, a educação
judaica voltou a ser uma prioridade. Com a chegada de um casal de
professores argentinos, Jacob e Bela Fainguelernt, o ensino judaico
se organizou. A comunidade procurou a Jewish Association For Colonization
(ICA), que subsidiaria o ensino judaico.
No dia 15 de fevereiro de
1927, o Dr. Rafalovitch, da ICA, presidiu a reunião de fundação
da Escola lsraelita Brasileira de Curitiba com a seguinte diretoria:
Salomão Guelmann (presidente), Júlio Stolzemberg (vice-presidente),
Bernado Schulmann (secretário), Germano Weiger, Nathan Paciornik
e Naum Vugman (vogais). A Escola funcionava em uma casa alugada
na Rua André de Barros, 63, entre as ruas Barão do
Rio Brando e João Negrão. Oficializada pelo governo
estadual, a escola contava ainda com um professor nomeado para lecionar
o programa exigido pela Secretaria de Estado de Educação.
O currículo ficou assim distribuído: Português,
Ídiche, Hebraico, História Judaica e Escrituras Sagradas.
Na década de 30,
muitas mudanças. Em 1932, a Escola muda de prédio,
passando à Rua do Rosário, 152. Em 1933, o casal Fainguelernt
vai embora. Começa a era Bariach.
O professor Baruch Bariach
assumiu a direção da escola em 1933 e ali ficaria
até 1946. Bariach deixou a sua marca na história da
escola e de uma maneira geral, na própria comunidade.
Sob o seu comando o ensino
foi ampliado de cinco para sete anos, acompanhando a metodologia
que era seguida na Polônia. Em 1935, já com 109 crianças,
a Escola viu-se obrigada a ampliar as suas instalações.
Salomão Guelmann
trouxe a solução. Ele construiu, e doou, um prédio
especialmente para o funcionamento da Escola. A nova sede, na Rua
Lourenço Pinto, foi inaugurada em 29 de junho de 1935. Em
homenagem a essa grande conquista, a escola passou a se chamar Escola
lsraelita Brasileira Salomão Guelmann. Nesse prédio
a Escola permaneceria por 35 anos.
Nessa época, o professor
Bariach, com o objetivo de poder proporcionar estudo àquelas
crianças cujos pais moravam nos arredores de Curitiba ou
não tinham condições de atendê-las adequadamente,
criou um internato para meninos e meninas. Os dormitórios
ficavam no sótão da escola. A Escola também
ganhava com uma nova professora de hebraico, Olga Rubinstein.
A década de 40 foi
decisiva para a consolidação da Escola. Com o término
da li Guerra Mundial um número significativo de novos imigrantes
chegaram em Curitiba. Novas famílias, novos alunos e também,
entre eles, a professora Maria S. Mendelson, a Dona Manhe. Em 1945,
Dona Manhe passa a lecionar ídiche na Escola.
Em 1946 o professor Bariach
deixou Curitiba. Em seu lugar assumiu o professor Abrão Limpman,
que permaneceu somente um ano. De 1951 até 1953 Lejba Szapiro
foi contratado para o cargo de diretor de ensino judaico. Os diretores
de caráter geral eram nomeados pela Secretaria de Educação.
Na segunda metade da década
de 60 mudanças importantes ocorreram na coletividade. O Centro
Israelita ganhou a nova sede da Mateus Leme e começava na
comunidade um interesse em mudar o prédio da Escola para
o terreno anexo ao novo clube. Ao mesmo tempo, foi se concretizando
a idéia de dar continuidade ao ensino primário com
a criação de um ginásio judaico.
Em 26/11 o governo autoriza
o funcionamento do ginásio. Em 1970, com 35 alunos começa
a 1a. série ginasial. Nesse ano, contando com 250 alunos
no total, a Escola inicia as obras da sua atual sede, graças
a um grupo pequeno e abnegado, formado por Max e Saul Zugman, Luiz
Kuperstein e Pinkus Fabicevitz, que trabalharam anos a fio para
que este projeto se realizasse. Com o prédio moderno, localizado
na Nilo Peçanha no. 666, projetado pelos ex-alunos Leo Grossmann
e Jaime Lerner, a trajetória da Escola foi crescendo cada
vez mais. Agora, em seus bancos, estava a segunda geração
de alunos da escola.
Nessa época, a Escola
lsraelita estava completamente modernizada, porém sempre
mantendo o foco na questão da identidade judaica. Além,
de proporcionar um excelente nível de ensino geral, o âmago
da Escola sempre foi um: continuidade.
Fonte de ensino sistemático
da língua, da cultura e da tradição judaicas,
a Escola abriga hoje a terceira e a quarta geração
dos judeus de Curitiba. Durante anos, a Escola foi muito mais do
que um lugar de aprendizado, foi sempre o coração
da comunidade. Os laços lá estabelecidos formaram
o tecido que recobre a própria história da comunidade.
Manter a Escola sempre significou,
para todas as diretorias que aqui passaram, manter a própria
existência da coletividade como um todo.
Hoje, a Escola Israelita
é considerada uma das 15 melhores escolas de educação
infantil e fundamental de Curitiba. Os 40 profissionais que hoje
ocupam nossas salas de aulas estão profundamente envolvidos
com o projeto pedagógico inovador que as crianças
vivenciam. O Horaá Mut´emet trouxe uma grande mudança
no processo de ensinar.
Porém, por mais moderna
e diferente que a Escola tenha se tornado, quando se entra pelo
pátio, às vezes, é possível ouvir ao
fundo uma voz inconfundível, é Tevye contando. Tradição!
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Staff obra Escola Israelita Brasileira, sede Nilo Peçanha
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Entidades Mantenedoras
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