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HORAÁ MUT´EMET

Lançamento de apresentação do projeto

"Em algum lugar, alguém sente...

Em algum lugar, alguém pensa...

Em algum lugar, alguém faz..."

Inseridos neste universo, sentimos, pensamos e estamos fazendo Horaá Mut´emet. Neste processo de fazer a educação para a Diversidade, acertamos, erramos e vamos, assim, construindo uma escola mais humana e democrática. Projeto de todos nós!

O processo educativo, em todo o mundo, vem passando por uma revisão, se adequando às necessidades e transformações do novo século.

Nossa tarefa tem sido fazer uma re-leitura de teorias e métodos, numa perspectiva transdisciplinar.

Nosso alunos necessitam de competências para administrar suas vidas com autonomia moral, social e intelectual.

Nossa expectativa, como educadores, é conseguir exercitar e construir, em nossa comunidade escolar, estas competências, sem perder de vista o sujeito individual. Nem tudo tem que ser aprendido ao mesmo tempo, por todos e do mesmo jeito.

O Projeto Horaá Mut´emet não é um método, ou uma nova teoria. É uma concepção pedagógica que reconhece e trabalha com a diversidade humana e promove, portanto, modificações metodológicas. O jeito de fazer as aulas passa a ser diferente, provocador, desafiador. O ambiente educativo ocupa um lugar relevante no processo. Recursos tecnológicos disponíveis, obras de arte, diferentes linguagens, fontes originais de pesquisa, contato direto com autores e diferentes profissionais. Nossos alunos exercitam a prontidão necessária para pesquisar, integrar conceitos, relacionar fatos, administrar conflitos cognitivos, afetivos e sociais.

Esta tem sido nossa proposta no trabalho mutêmico.

Toda mudança gera insegurança, conflitos, acertos e muitos erros. Estes compreendidos por nós como o principal combustível da aprendizagem. Dialogar com o erro e se sentir desafiado a encontrar soluções.

O projeto vem modificando a aparência, a essência da escola e o movimento dos alunos e, hoje, compartilhamos com todos a Mostra de quase dois anos de intenso trabalho junto aos profissionais da escola, através de capacitações internas e externas. Aproveito o momento, para agradecer à equipe, que aceitou a provocação. Muito obrigada pela pertença, cooperação e afeto!

Educação Infantil e as quatro primeiras séries do Ensino Fundamental já têm seu ambiente educativo modificado e uma produção mutêmica intensa.

Nossos jovens de 5ª a 8ª séries ainda têm pouco do muito que queremos oferecer. A partir de 2003, teremos as salas temáticas que modificarão, ainda mais, a rotina diária de estudos e pesquisa. Eles já vivenciam atividades mutêmicas, porém, ainda não completamos o ciclo de mudanças. SAbemos que a ansiedade natural da idade não permite que escutem nossos argumentos e, embora, em alguns momentos, se considerem esquecidos, não estão. Os professores deste ciclo estão profundamente envolvidos, tentando modificar a prática de sala de aula, de modo a atender melhor o jeit adolescencial de aprender.

queremos preencher estas palavras com o convite de um passeio pela escola para que os Senhores possam constatar o trabalho pedagógico que estamos realizando, que inclui, desde a inauguração do Museu da escola, até o show room do projeto, que nomeamos de Espaço Mutêmico, como também, convidamos todos a brindar conosco este momento, através do coquetel organizado em parceria com nossos alunos.

Todos os integrantes da escola estarão à disposição dos Senhores para indagações a respeito da implantação do projeto.

Sejam bem-vindos, e em nome da equipe agradeço a atenção e participação.

Toda Rabá!

Palavras do diretor do Deptº de Educação e de Cultura Judaica da Kehilá do Paraná

Para nós é uma honra neste momento recebê-los em nossa casa para mostrar a comunidade paranaense um grande desafio que com certeza trará à Educação em nosso Estado um exemplo de filosofia de ensino, que mudará os rumos da Educação. Horaá Mutemet - Educação para a Diversidade.

Educação para a Diversidade: idéia conhecida há 03 anos atrás, quando fui convidado para visitar algumas Escolas do Rio de Janeiro. No retorno à Curitiba já estava com a imagem fixa de contemplar nossa Escola com aquele magnífico exemplo. Muitas discussões, ponderações, avaliações. Enfim hoje aqui estamos para o lançamento oficial, pois na prática já estamos atuando no momento em que aceitamos este desafio.

O que vem a ser na realidade Educação para a Diversidade? Na verdade é preciso vivenciar para sentir. O aluno é potencializado a exercer suas tarefas conforme sua capacidade. É respeitado por aquilo que possui, na sua maneira de pensar e de fazer suas tarefas. Não cabe mais ao professor somente dar a aula explicativa, mas sim também aprender com seus alunos. É hora de escutar música ou pesquisar na Internet. É hora de fazer lições que não são obrigatórias e também sentar no chão para ler livros ou revistas. A responsabilidade é também do aluno.

Experiência já vivenciada no México, Argentina, Israel, Venezuela, Peru, Espanha e muitos outros lugares. Agora chegou a nossa vez. Queremos qualidade, com certeza teremos cada vez mais. Nas salas de aula, os pais de alunos não acreditam no que veêm. Tudo muito colorido, em cada canto uma novidade, em cada parede uma experiência. Tv, som, computador, biblioteca isto é o dia-a-dia de nossos estudantes. Vale a pena conhecer.

Gostaria de dizer aqui as minhas impressões de como foi a captação desde o início deste projeto:

...um telefonema

Em meados do mês de março de 1999 o sheliach da Agencia Judaica - Moshe Cohan liga para Curitiba e diz: - Isac você terá um grande encontro no Rio de Janeiro com alguns presidentes de Escolas Judaicas de pequeno porte. Que seria muito importante meu comparecimento e que bla,bla,bla... vocês sabem como os shlichim gostam de falar. - Muito bem. Somos uma Escola judaica pequena e achei que seria importante sabermos como outras Escolas funcionam e quem sabe poderíamos aprender e tirar algum proveito desta reunião.

...no Rio de Janeiro

Chegando na Central pedagógica judaica do Rio de Janeiro encontrei-me com dois companheiros (presidente e tesoureiro) da Escola Theodor Herzl de Belo Horizonte; ficamos sabendo que o pessoal de Porto Alegre não compareceria ao "grande encontro". Fomos muito bem recebidos pela responsável da Central pedagógica Miriam Garfinkel, e logo em seguida chegam a Ilana e o Moshe Cohan da Agencia Judaica.

Iniciamos nossa reunião já reclamando que as Escolas judaicas pequenas não tem o mesmo suporte que as Escolas grandes de São Paulo e Rio de Janeiro e que seria necessário um maior apoio da Agencia, etc, que precisamos de materiais, etc etc... Depois de muita conversa e reunião também com o presidente da Central Pedagógica do RJ, fomos convocados a conhecer um mega projeto que chegava aos nossos ouvidos pela primeira vez - HORAA MUTEMET - Educação para a Diversidade.

Estava tudo combinado, o lançamento oficial do Horra Mutemet no Rio de Janeiro era naquela noite e o Moshe nada tinha nos comentado. Enfim, visitamos as Escolas Eliezer Steinberg e Max Nordau onde fomos muito bem recebidos, conversamos com as diretoras, conhecemos a nova filosofia de ensino, vislumbramos as diferentes salas de aulas, os corredores "mutemicos", entrevistamos os alunos e professores, tiramos fotografias. Aquilo tinha me deixado em estado de alerta. Eu pensava naquilo tudo e no fundo no fundo eu gostaria de levar este projeto na única Escola Judaica do Paraná. Mas como? Mudar tudo? Dinheiro de onde? Uma Escola pequena como a nossa que não sobrevive com sua arrecadação. O que fazer?

...no avião

Na volta à Curitiba, encontrei no avião o Duda - David Bergman (paulista de nascimento e curitibano de casamento), e comentei tudo que tinha visto e que estava na hora de Curitiba avançar no ensino e fazer as mudanças acontecerem. Ele me falou: - Isac, você tem que mostrar para a comunidade que tá na hora de mudanças. Entre com a cara e coragem vá atrás daquilo que é melhor. Dificuldades sempre existirão, mas sempre vão ser resolvidas.

...na Entidade Mantenedora e na Kehilá

Me chamaram de louco, nós não temos condições para isso. Será que teremos alunos para mostrar os frutos do Projeto Horaá Mutemet.

Sim, alguns também falavam: temos que colocar novos horizontes para nossas crianças.

...primeiro grupo a viajar à Israel

Uma professora (morá), a coordenadora de 1ª à 8ª série e a diretora da Escola embarcavam a Israel.

.em Curitiba

Reuniões e encontros, dúvidas, apoio, indiferença. Tudo senti. Trouxemos do RJ a Miriam Garfinkel, responsável na época pelo projeto no RJ para mostrar a liderança do que se tratava. Acho que ela conseguiu, deu um nó na cabeça de todos.

...na Escola, viagens

Iniciamos o projeto. Dificuldade com as Escolas parceiras de SP. Estamos à frente.

Capacitações, cursos em SP, Curitiba, Buenos Aires. Viagens, fundos, decisões.

...hoje

salas de aula totalmente remodelada, espaço mobiliado, tv, dvd, som. Alunos presentes, sentindo esta nova filosofia. Direção, professores, pais e alunos... meu trabalho como voluntário da comunidade se realizou, isto é o suficiente...

Toda rabá, muito obrigado àqueles que acreditaram em nosso trabalho.

Isac Nudelman

01/10/2002

 

 

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